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Comunidade Itamunhec

A Comunidade Itamunhec está localizada na Zona Rural do município de Teófilo Otoni, Vale do Mucuri, Minas Gerais.

História da Comunidade Itamunhec

Origem do Nome: A priori, Itamunhec é uma palavra Indígena para o córrego local, em referência a abundância pedras existentes na região, o que poderia ser traduzido como rio de pedras ou pequenas pedras.

Contudo, em mapas antigos, a região aparece como "Serra de Tamunhec", o que é explicado por Frei Samuel, que cita em obra de 1922 que "Kinton" que significa apertar e "Anjek" que significa olho. Sendo Kinton Anjek, o cacique de um grupo que vivia onde hoje é a fazenda Itamunhec, sendo o cacique um homem cego.

Localização: Comunidade Itamunhec ou Itamunheque é uma comunidade localizada na Zona Rural do distrito de Teófilo Otoni no município de Teófilo Otoni, Vale do Mucuri, Minas Gerais.

Origem: A região era habitada originalmente por etnias indígenas, após o processo de colonização do Mucuri é aberta duas das três grandes fazendas de base escravagista da época, de nome Itamunhec no ano 1854, até 1866 Manuel Esteves Ottoni era o dono, após sua morte, sua esposa Ana Amália (1825-1889) assumiu a escravização de pessoas negras, e a Monte Christo de José Joaquim de Araújo Maia Jr.

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1. Fazenda Itamunhec e a Escravidão Negra

2. Fazenda Monte Christo e a Escravidão Negra

3. Estrada de Ferro Bahia-Minas

4. Assentamento Mãe Esperança

5. Tribo Indígena Maxakali (Tikmũ’ũn)

6. Economia, Cultura e Educação

A Fazenda Itamunhec e a Escravidão Negra

Manuel Esteves Ottoni (1825-1866)

SCHIRMER, Albert: Fazenda Itamunhec, sem data. Acervo Particular Fonte: Museu Virtual do Vale do Mucuri

O Dr. Manuel Esteves Ottoni é considerado o primeiro médico do Vale do Mucuri, ele ajuda a entender a mentalidade branca em nossa região, teve cerca de 100 pessoas escravizadas na fazenda Itamunhec. Foi assassinado em 1866 pelo sócio, a grande ironia aqui é que muitos dos que o admiram lamentam, ou seja, o mesmo homem que salvava vidas brancas, diminuia em muito as expectativa de vida dos negros.

Em 1857 foi Criada em Philadélphia a primeira escola, criada por Dr. Manoel Esteves Ottoni, na sua fazenda Itamunheque, onde ele foi professor, o espaço foi dedicado aos filhos dos colonos brancos.

Ana Amália (1825-1889)

Esposa de Manuel Esteves Ottoni, e filha do também senhor de escravos José Joaquim de Araújo Maia possivelmente umas poucas mulheres escravocratas conhecidas da região, foi mãe do ex-prefeito, e deputado Epaminondas Ottoni, até a sua última carta enviada é relatado os constante ataques indígenas, evidenciando a luta em função da invasão de suas terras.

A Fazenda Monte Christo e a Escravidão Negra

A Fazenda Monte Christo localizava-se a cerca de 12 km de Teófilo Otoni, na região que se desenvolveu a partir da abertura dos caminhos para o Vale do Mucuri. A propriedade tem origem no período de ocupação da região durante o século XIX, quando foram abertas as primeiras rotas que posteriormente dariam origem à estrada de rodagem conhecida como Santa Clara, uma das primeiras vias terrestres estruturadas do Brasil.

A formação inicial da fazenda está associada a Joaquim José de Araújo Maia Júnior (1825-1912), membro de uma família ligada às redes comerciais e políticas da região. Filho do Capitão Joaquim José de Araújo Maia e Theodósia Cândida Vieira, casou-se com Maria Isidora Ottoni, irmã de Teófilo Benedito Ottoni. Suas irmãs também se casaram com membros da família Ottoni, estabelecendo fortes vínculos familiares entre os grupos que participaram da ocupação e organização econômica do Vale do Mucuri.

Durante esse período, a implantação da fazenda contou com o trabalho de pessoas negras escravizadas, muitas delas trazidas da região de Valença, no Rio de Janeiro. Esses trabalhadores forçados foram responsáveis por diversas atividades fundamentais para a consolidação da propriedade e da infraestrutura regional, incluindo a abertura de picadas e caminhos na mata que mais tarde seriam aproveitados na construção da estrada de rodagem Santa Clara.

Posteriormente, a propriedade passou para o imigrante alemão Ferdinand Schroeder (1846-1909), que chegou ao Brasil por volta de 1870 e adquiriu a fazenda. Schroeder tornou-se uma figura influente na região, tendo ocupado cargos públicos e alcançado a patente de tenente-coronel da Guarda Nacional. Registros históricos mencionam conflitos ocorridos na fazenda durante esse período, incluindo episódios de violência envolvendo trabalhadores negros e feitores, revelando tensões presentes no sistema de trabalho rural herdado do período escravista.

Ao longo do tempo, a propriedade passou por diferentes proprietários. Após o período inicial de ocupação, a fazenda foi vendida ao pioneiro Fernando Schroeder e, posteriormente, transferida para Gustavo Bamberg, cuja família permaneceu na posse da área por aproximadamente 82 anos. Em 1993, a propriedade foi adquirida por Eli Jeremias Paranhos.

Historicamente, a Fazenda Monte Christo possuía uma área de cerca de 162 alqueires e foi estruturada com base em sistemas de captação de água utilizados para atividades produtivas. A antiga casa sede, considerada uma construção colonial regional, possuía porão alto onde funcionava uma senzala com duas celas, além de um sótão com elementos defensivos característicos das construções rurais do período.

Essa sede histórica permaneceu como uma das principais referências arquitetônicas da propriedade até o início do século XXI. Entretanto, a construção onde funcionava a senzala acabou ruindo alguns anos atrás, já durante a administração de um proprietário posterior, resultando na perda de uma estrutura importante para a memória material da escravidão e da ocupação rural na região.

Ao longo do tempo, a economia da fazenda passou por diferentes fases produtivas. No período mais recente, a principal atividade econômica foi a pecuária leiteira, com produção de queijos destinados principalmente aos mercados do Rio de Janeiro e de São Paulo.

O levantamento histórico e arquitetônico que registrou parte dessas informações foi realizado em março de 2004, no âmbito de inventários patrimoniais conduzidos pela Prefeitura de Teófilo Otoni.

Estrada de Ferro Bahia-Minas

A Estrada de Ferro Bahia-Minas chegou em Teófilo Otoni em 1898, foi aproveitado parte da Estrada de Rodagem Santa Clara. Na região de Itamunheque existiu três Pontos de Embarque e desembarque de cargas e passageiros, todas demolidas, Cantinho, – Casas Turma 36 (ainda existe) – Itamunheque e Planície (comunidade próxima).

Assentamento Mãe Esperança

Desde 2004 existe o Pré-Assentamento Mãe Esperança do MST/INCRA, com pelo menos 60 famílias, em uma área de 2136,673km², o presidente Lula, em abril de 2007, criou oficialmente o assentamento 'Mãe Esperança de Itamunheque', em 2015 foi criado a “Associação dos Agricultores Familiares do Vale do Mucuri — Associação Mãe Esperança de Teófilo Otoni”, também existe a Associação dos Acampados e Posseiros da Fazenda Itamunhec (ASPOFITO) criada em 2013, por ser uma fazenda originalmente dos Ottoni, e escravista, tinha, ou melhor, tem grandes extensões de terra.

Devido os 20 anos de espera para a posse da terra, existem conflitos na região, muitas pessoas venderam terras, e foram embora, devido a não titularidade da terra, e quem comprou corre risco da perder as mesmas.

Em Teófilo Otoni são 3 Projeto de Assentamento

PA Capacidade Famílias Assentadas Área Criação
PA Saudade 149 138 3355.6184 13/08/1997
PA Irmãos Fritz 29 28 130.3052 22/12/2014
PA Itamunhec 45 0 2136.673 24/04/2007

Tribo Indígena Maxakali (Tikmũ’ũn)

Os indígenas Maxakali que fundaram a Aldeia Escola Floresta (Yãy Hã Mĩy) viviam, antes, na Aldeia Verde, no município de Ladainha, de onde migraram em função de conflitos que decorreram, principalmente, da alta concentração populacional na localidade. Em virtude disso, cerca de dois terços de sua população deixaram a aldeia em junho de 2020, passando por situações de grande vulnerabilidade em busca de um novo território.

Formam hoje uma população de quase 3 mil pessoas, vivendo em aldeias em Santa Helena de Minas, Bertópolis, Ladainha e Teófilo Otoni. Na madrugada do dia 28 de setembro de 2021 uma comunidade de quase 400 pessoas chegou na região, a terra pública do Estado de Minas estava cedida para construção de um campus do Instituto Federal do Norte de Minas, porém abandonada.

Devido o desmatamento, a água poluída, os indígenas ainda sofrem com a falta de alimentos, além de árvores para produzir roupas, artesanato, tintas. Hoje existe o trabalho de recuperação do rio, além da plantação de mudas frutíferas como parte do reflorestamento, além da plantação da mandioca, inhame e Banana.

Turismo e Cultura

Economia: A região era conhecida pela grande produção de cenouras, em 2023 surgiu a ideia do Festival da Goiabas, em contraposição do Festival da Cenoura, isso se deu pela queda da produção. No Assentamento existe a agricultura familiar

estival da Goiaba na Comunidade de Itamunhec

Cultura Indigena: Os Indígenas Maxakali (Tikmũ’ũn) tem a produção de artesanato, roupas etc. além de filmes com Isael e Sueli Maxakali que são reconhecidos internacionalmente, além da sua própria língua AX Xalti, sem contar o canto entoada pelas mulheres.

Cultura: A região tem também várias Cavalgadas, Festival da Goiaba, é parte da Rota Bahia-Minas, tem uma cachoeira, além da Pedra de Itamunhec

Educação

Escola Endereço
Escola Municipal Oscar João Kretli - Anexo Itamunheque Povoado de Itamunhec
EE Aldeia Escola Floresta Aldeia Escola Floresta
EE Itamunhec Itamunhec
Escola Municipal Oscar João Kretli - Anexo Itamunheque
Escola modular da Aldeia Escola Floresta construída em 2025

Mapa da Comunidade Itamunhec

Lista de Povoados e Comunidades de Teófilo Otoni

Localidade Localidade
Povoado da Lajinha Povoado Poton ou Potozinho
Aguinha Água Fria
Alto do São Jacinto Arrozal
Bandeira Barra da Limeira
Brejão do Cedro Brejaúba
Cabeceira de São Pedro Cabeceira do Jabuti
Capitólio Cedro do Meio
Povoado do Cedro Povoado Pedreira Ramos
Corrégo da Pedras Corrégo da Serra
Córrego dos Índios Córrego Boa Vista
Criciúma Criciúma do Cedro
Cristal Grota Funda
Irmãos Fritz Jaqueira
Liberdade Palmital
Vila da Palha Pasto do Governo
Planície Santa Barbará
Santa Teresa Santo Antônio
São Jerônimo São Gotardo
São José São Miguel do Pita
São Sebastião Sofia
Suiça I Suiça II
Tatu Assado Turma 36
Vila dos Posseiros Vera Cruz
Soledade-Bispo

População Urbana e Rural

Distrito População Pop. Urbana Pop. Rural
Teofilo Otoni 124.692 (90.74%) 112.946 (90.58%) 11.746 (9.42%)
Topazio 3.729 (2.71%) 940 (25.21%) 2.789 (74.79%)
Pedro Versiani 3.034 (2.21%) 622 (20.49%) 2.412 (79.51%)
Mucuri 3.213 (2.34%) 2.142 (66.67%) 1.071 (33.33%)
Crispim Jacques 1.570 (1.14%) 141 (8.98%) 1.429 (91.02%)
Rio Pretinho 1.180 (0.86%) 169 (14.32%) 1.011 (85.68%)
Total 137.418 hab 116.960 (85.11%) 20.458 (14.89%)
Distritos 12.726 (9,26%) 4.014 (3,43%) 8.712 (42,59%)

Território

Distrito Área Densidade % Área
Teofilo Otoni 1.084,89 km² 114,94 hab/km² 33,46%
Topazio 598,54 km² 6,23 hab/km² 18,46%
Pedro Versiani 487,00 km² 6,23 hab/km² 15,02%
Mucuri 472,09 km² 6,81 hab/km² 14,56%
Crispim Jacques 310,62 km² 5,05 hab/km² 9,58%
Rio Pretinho 289,22 km² 4,08 hab/km² 8,92%
Total 3.242,36 km² 42,38 hab/km² 100,00%
Distritos 2.157,47 km² 5,90 hab/km². 66,54 %

População x Domicílio

Distrito Domicílios População Pessoas por Domicílios
Teofilo Otoni 53.981 (88,95%) 124.692 hab. 2,31
Topazio (1938) 1.914 (3,15%) 3.729 hab. 1,95
Pedro Versiani (1948) 1.487 (2,45%) 3.034 hab. 2,04
Mucuri (1976) 1.667 (2,75%) 3.213 hab. 1,93
Crispim Jacques (1948) 970 (1,60%) 1.570 hab. 1,62
Rio Pretinho (1976) 665 (1,10%) 1.180 hab. 1,77
Total 60.684 137.418 hab. 2,26
Distritos 6.703 (11,05%) 12.726 (9,26%) 1,90
Fontes:

Tetteroo, Frei Samuel. O Município de Teófilo Otoni: Notas Históricas e Chorográficas.

Povoadores do Vale do Mucuri, Ferreira, Lais Ottoni Barbosa. Editora n/d, ano 2006,

FERREIRA, Godofredo. Os bandeirantes modernos: desbravamento e a colonização das matas do Vale do Mucuri em Minas Gerais. Belo Horizonte: [s.n.], 1934.

OTTONI, Theophilo Benedicto. Notícia sobre os selvagens do Mucury, em uma carta dirigida ao Sr. Dr. Joaquim Manoel de Macedo. Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, Rio de Janeiro, v. 21, p. 191–238, 1858.

RAMALHO, Juliana Pereira. Minas Novas: um projeto de província nos sertões – povoamento e concentração fundiária na freguesia de São Pedro do Fanado (1834–1857). 2018. 335 f. Tese (Doutorado em História) – Instituto de Ciências Humanas e Sociais, Universidade Federal de Ouro Preto, Mariana, 2018.

RENAULT, Pedro Victor. Exploração dos rios Mucuri e Todos os Santos e seus afluentes. In: RENAULT, León (org.). Revista do Arquivo Público Mineiro. Belo Horizonte, p. 1079–1080.

SANTOS, Márcio Achtschin; BARROSO, Leônidas Conceição. A Estrada Santa Clara no século XIX: caminho de “gentes” e vivências no Mucuri.

SILVA, Weder Ferreira da. Colonização, política e negócios: Teófilo Benedito Ottoni e a trajetória da Companhia do Mucuri (1847–1863). 2009. Dissertação (Mestrado em História) – Instituto de Ciências Humanas e Sociais, Universidade Federal de Ouro Preto, Mariana, 2009.

Assentamentos Rurais em Minas Gerais