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Rio Todos os Santos

O Todos os Santos está na sub bacia do Rio Mucuri, dentro de Teófilo Otoni recebe água de vários afluentes, Ribeirão Santo Antônio (o que passa no Bela Vista), o Ribeirão São Benedito (que passa no São Benedito/Veneta/Manoel Pimenta), Ribeirão São Jacinto, (ele tem dois braços no São Jacinto), São José e São Diogo (passa no Jardim das Acácias)

A sua nascente está localizada no distrito de Valão, Poté, mais precisamente na região da "Baixinha", inicialmente conhecida como "Todos os Santos", se juntando ao Rio Mucuri no distrito de Presidente Pena, Carlos Chagas.

O seu nome foi dado por volta de 1730, Pelo senhor de escravos Mestre de Campo João da Silva Guimarães, que passou pelo rio São Mateus, em direção do Todos os Santos

Seus primeiros habitantes foram inúmeros grupos índigenas, desda a cabeceira até a Barra; Durante o processo de colonização muitas dessas terras foram acessadas entre 1859 pessoas vindas da Saxônia, Hamburgo, Suiça, Prússia e Portugal, a maioria lavradores.

1734 - Em 1734 passou por essas terras a bandeira do mestre de campo João da Silva Guimarães, vindo Minas Novas, em busca de pedras preciosas, sendo ele o responsável pelo nome do Rio, não achando tentou abrir fazenda na região de Pedra D'água, Distrito de Mucuri, sendo expluso por indigenas Maxakalis.

1836 - A história da Colonização do Vale do Mucuri começou realmente quando o Presidente da Província de Minas Gerais Antônio da Costa Pinto deu ordem ao engenheiro francês, Pedro Victor Renault, de explorar o percurso do rio Todos os Santos e Mucuri, até sua foz no oceano para descobrir um lugar apropriado para uma colônia de degredados.

O engenheiro Renault embarcou em canoas fabricadas por seu próprio pessoal, às margens do Rio Todos os Santos aos 13 de setembro de 1836, chegando à foz do Mucuri no dia 29 de setembro do mesmo ano em um lugar denominado São José do Porto Alegre, atual Mucuri - BA

1882 - Com a construção da Estrada de Ferro Bahia/Minas (EFBM), por volta de 1882, o então navegável Rio Todos os Santos contribuiu para a colonização do Vale do Mucuri. A EFBM acompanha seu leito por, aproximadamente, 100 km, desde o Distrito de Valão, município de Poté, até a sua foz no distrito de Presidente Pena, município de Carlos Chagas.

1896 - Fundada em Teófilo Otoni, por Feliciano Soares da Costa, mais conhecido por Mucuri, e Alberto Laender uma companhia de transporte fluvial que, pelo rio Todos os Santos, transportava em canoas, a partir de Francisco Sá até Filadélfia, mercadorias e passageiros.

1984 - Complementação da canalização do rio Todos os Santos entre as pontes da rua Manoel Esteves e Glória Penchel no bairro Castro Pires, em sistema de gabiões.

1984 - Complementação da canalização do rio Todos os Santos entre as pontes da rua Manoel Esteves e Glória Penchel no bairro Castro Pires, em sistema de gabiões.

2002 - O Rio Todos os Santos e seus afluentes provocaram, em fevereiro, a pior enchente da história de Teófilo Otoni, com um saldo de 13 mortos, cerca de 8 mil desabrigados e três pontes arrancadas, além de prejuízos calculados em R$ 56 milhões.

Os principais problemas dos recursos hídricos do rio Todos os Santos estão relacionados com a contaminação e degradação de suas águas, consequência da falta de tratamento dos esgotos domésticos, industriais e atividades humanas.

O município é rico em recursos hídricos e pertence à bacia do rio Mucuri, que dá nome ao Vale. A sede municipal está situada na sub-bacia do rio Todos os Santos, que corta a cidade, junto com seus afluentes — os córregos. Em outras áreas, destacam-se o rio Pretinho e dezenas de córregos e ribeirões perenes, que formam um cenário de corredeiras, cachoeiras, remansos e belas praias de água doce.

Expedições no Rio Todos os Santos e a Busca por Ouro e Esmeraldas (Século XVI)

O município de Teófilo Otoni tem destaque histórico por estar situado em uma das regiões mais antigas exploradas por portugueses em busca de ouro e esmeraldas. Já em 1550, circularam notícias sobre uma “serra resplandecente” próxima a um grande rio, informação enviada por Felippe de Guirllen ao rei D. João III. Segundo o relato, os indígenas (chamados à época de “bugres”) falavam da existência de montanhas brilhantes no interior do território.

O rei, movido pela cobiça despertada por tais notícias, ordenou a Tomé de Souza, então governador-geral do Brasil, que enviasse uma expedição ao sertão para descobrir se de fato havia ouro e pedras preciosas.

Frei Samuel Tetteroo, em seu livro O Municipio de Teófilo Otoni, afirma que, no municipio de Teófilo Otoni, foi descoberto o primeiro ouro no Brasil

A Expedição de Martim Carvalho (1550)

Em cumprimento à ordem real, Tomé de Souza organizou uma jornada sob o comando de Martim Carvalho, composta por 50 a 60 portugueses e alguns indígenas. O grupo partiu de Porto Seguro, seguindo o mesmo caminho utilizado pelos indígenas desde 1538, que avançavam pelo interior rumo à chamada Serra do Sol da Terra.

A partir dessa serra, tomaram à esquerda, segundo o historiador Francisco Lobo Leite Pereira, para seguir em direção à famosa Serra das Esmeraldas.

Durante o percurso, os expedicionários observaram muitas serras de terra azulada, algumas formadas por cristais muito finos, acreditando tratar-se de um território rico em metais e pedras preciosas.

A jornada durou cerca de oito meses, avançando duzentas e vinte léguas pelo sertão. Em determinado ponto, chegaram a um ribeirão que descia do pé de uma serra, onde encontraram grãos miúdos e amarelos entre a areia. Ao testá-los com os dentes, viram que eram brandos, mas não se desfaziam, e notaram que eram muito pesados — sinais evidentes de ouro.

Por estarem exaustos e com fome, alimentando-se apenas de ervas e cobras, não puderam realizar experiências mais detalhadas. Ainda assim, planejaram retornar ao local, levando mantimentos, para examinar melhor a serra de onde o ouro descia ao ribeirão.

Durante o trajeto, encontraram muita canafístula e diversos metais desconhecidos. Foram, porém, atacados por grupos indígenas, o que os obrigou a continuar a viagem de modo apressado.

Alguns indígenas informaram que as “pedras verdes” (esmeraldas) poderiam estar a cerca de cem léguas adiante.

Enfraquecidos e enfrentando doenças, os homens da expedição decidiram regressar utilizando o rio Cricaré (atual Rio São Mateus), onde sofreram um grande revés: a canoa que transportava as amostras de ouro colhidas no ribeirão se perdeu em uma cachoeira. Assim terminou a expedição de Martim Carvalho, uma das primeiras incursões conhecidas pelo interior do atual Vale do Mucuri.

O Caminho e a Relação com o Rio Todos os Santos

Segundo o Padre Frei Samuel Tetteroo, na obra Memória Histórica e Geográfica do Município de Jequitinhonha (1901), é provável que Martim Carvalho tenha passado pelo córrego do Ouro, que deságua no Rio Todos os Santos, pouco acima da antiga estação de Bias Fortes, na antiga Estrada de Ferro Bahia e Minas, dentro do atual município de Teófilo Otoni.

Dali, a expedição poderia ter seguido em direção ao Rio Cricaré (São Mateus), vindo do Norte para o Sul, passando talvez pelo local onde mais tarde existiria a Colônia Militar de Urucú.

O padre baseia essa hipótese na geografia das serras da região:

  • Um ramo de serra vindo das cabeceiras do Rio Buranhém (cuja foz fica em Porto Seguro) avança pelo interior e divide as águas dos rios Jequitinhonha, Buranhém e Sucucu.
  • Na altura da Pedra do Tombo Virou, nas nascentes dos córregos Mascate e Boqueirão Escuro, essa serra se bifurca:
    • Um ramo divide as águas do Rio Tanhém e do Rio Pampam — caminho seguido por Martim Carvalho;
    • Outro ramo separa as águas do Rio São Miguel do Pampam e do Rio Negro, até alcançar a Pedra da Camisa.

Outra expedição notável foi a de Espinoza-Navarro (1553), chefiada por Francisco Bruza de Espinoza e acompanhada pelo padre João de Azpilcueta Navarro. Partindo de Porto Seguro, seguiram em direção aos vales do Jequitinhonha e Mucuri, chegando ao rio Todos os Santos.

Segundo o historiador Santos (1970, p. 31), embora não tenham encontrado as esmeraldas, essa expedição foi importante para o contato dos portugueses com os povos indígenas. O padre Azpilcueta celebrou, às margens do rio Todos os Santos — onde hoje está Teófilo Otoni —, uma das primeiras missas realizadas no interior do Brasil.

A Fundação de Filadélfia (atual Teófilo Otoni)

O engenheiro Pedro Victor Renault, em 1836, já havia indicado a região entre os rios Todos os Santos e Mucuri como ideal para a criação de uma colônia. Assim nasceu Filadélfia, planejada como uma cidade moderna, com ruas planas e estrutura voltada ao comércio entre as comarcas do Serro Frio e do Jequitinhonha.

As Tribos do Rio Todos os Santos e do Mucuri

O engenheiro Pedro Victor Renault, em sua obra sobre a Exploração dos Rios Mucuri e Todos os Santos de 1846, descreveu que o rio gozava de grande fama por supostas riquezas minerais. Após análise, porém, constatou que suas águas levavam apenas os despojos das florestas, e não minerais preciosos.

Na região, viviam diversas tribos indígenas. As das cabeceiras do rio Todos os Santos, conhecidas como Nack-nanucks, formavam uma espécie de confederação contra as tribos do baixo curso do rio, os Giporoks. Os Nack-nanucks também mantinham conflitos com os Aranas, habitantes das margens dos rios Sorobim e Suaçuí.

Entre os principais aldeamentos estavam:

  • Aldeamento do Capitão Felippe, na mata de São João;
  • Aldeamento do Capitão Poté, às margens do ribeirão Poté;
  • Aldeamento do Capitão Timóteo, nas cabeceiras do rio Todos os Santos.

Essas comunidades viviam de forma simples, sem uma estrutura de governo formal. O título de “capitão” era dado ao homem mais valente ou respeitado. Suas tradições e crenças eram transmitidas oralmente, e parte das ideias religiosas vinha do contato com missionários portugueses.

Problemas Ambientais e Revitalização

Os principais problemas enfrentados pelo rio Todos os Santos estão relacionados à contaminação e degradação das águas, causadas pela falta de tratamento de esgoto doméstico e industrial, além de outras atividades humanas.

Em 2003, foi lançado em Teófilo Otoni um projeto de revitalização do rio Todos os Santos, promovido pelas Secretarias Municipais de Meio Ambiente e Educação. O objetivo era conscientizar a população sobre a importância da preservação do rio e seus benefícios ambientais e sociais.

Expedições Históricas e a Descoberta do Ouro

Antes de Fernão Dias, houve a expedição de Martim de Carvalho, que partiu de Porto Seguro em 1550. Ele atravessou o rio Mucuri, alcançou o rio Todos os Santos e passou pela região que hoje corresponde a São Mateus, retornando depois ao ponto de partida.

Fontes:

Costa, Alexandre & Silva, Altamiro & Colares, Rodrigo. (2019). Barragem do rio todos os santos no vale do mucuri/mg: análise de rompimento para Teófilo Otoni. Holos Environment. 19. 528. 10.14295/holos.v19i4.12344.

Almeida, Luiz Sávio de; Galindo, Marcos; Elias, Juliana Lopes (orgs.). 2000. Índios do Nordeste: temas e problemas 2. Maceió: EDUFAL.

Reinault, Pedro Victor. 1846. Relatório da exposição dos Rios Mucury e Todos os Santos, feita por ordem do Exm. governo de Minas Geraes pelo engenheiro Pedro Victor Reinault, tendente a procurar um ponto para degredo. Revista Trimensal de Historia e Geographia ou Jornal do Instituto Historico e Geographico Brasileiro, tomo VIII, p. 356-375. Rio de Janeiro. [2ª. edição, 1867]

SILVA, Weder Ferreira da. Colonização, política e negócios: Teófilo Benedito Ottoni e a trajetória da Companhia do Mucuri (1847-1863). Mariana, 2009. Dissertação (ou Tese) – Universidade Federal de Ouro Preto, Instituto de Ciências Humanas e Sociais, Departamento de História, Programa de Pós-Graduação em História.