Sede do Dnit e Núcleo Histórico
🏛️ Sede do Dnit e Núcleo Histórico é um Bem Cultural Protegido por Inventariado pelo Município de Teófilo Otoni, no ano de 2020. Localizado no bairro Dr. Laerte Laender, Zona Sul.
Sede do Dnit e Núcleo Histórico
Localização: Bairro Dr. Laerte Laender | Zona Zona Sul
Endereço: R. Eng. Célso Murta, 208
Tipo de Proteção: Bem Inventariado pelo Município
Ano do Inventário: 2020
Rowan Mello, funcionário do DNIT há 21 anos, atualmente contratado para prestar serviços de consultoria rodoviária para este departamento, enaltece o trabalho de José Carlos: “é uma pessoa muito criteriosa, cuidava direito desse patrimônio mesmo, ele organizava e ainda tinha um servidor aqui que colocava tudo nas pastinhas tudo separadas, com escrituras, com desenho, esses móveis todos aqui são da época” (MELLO, 2008).
José Carlos esclarece que a catalogação e acondicionamento adequado do acervo partiu de um entendimento da necessidade de se recontar a história do processo de desbravamento das estradas, e reforça que seu trabalho só foi possível, pelo trabalho realizado em coletivo. Ele também esclarece que a Rio-Bahia era para ser uma estrada modelo, “chegaram a montar um laboratório fotográfico e contrataram um fotógrafo e as melhores máquinas na época para registrar o processo [...]. Eles compraram toda a fiação, naquela época, na década de 1960, para colocar telefone na rodovia inteira. Eu cheguei aqui e tive que mandar embora caminhões e caminhões de fios telefônicos que eram para colocar telefone naquela época na estrada inteira, isso acabou não indo para frente...” (RIBEIRO, 2018).
Fanny Moreira, uma funcionária do antigo DNER e historiadora da cidade, em entrevista, esclarece que as obras da Rio-Bahia iniciam efetivamente em 1946, com o fim da II Guerra Mundial. Ela diz que ainda quando criança “assistiu eles desbravando o caminho” e que viajou muito nela “no barro, no atoleiro, porque no início a estrada era de chão, funcionando assim por muitos anos” (MOREIRA, 2018). O asfaltamento inicia apenas na década de 1960 e, em 1961, Fanny Moreira ingressa no DNER e segue acompanhando inúmeras solenidades, como a inauguração oficial da rodovia, ocorrida em 1963.
A criação da rodovia impulsionou o desenvolvimento em toda a região, pois antes tudo era isolado. Mesmo reconhecendo a importância da rodovia para o desenvolvimento do país, José Carlos lamenta a escolha do governo em acabar com as ferrovias. Se por um lado a rodovia leva desenvolvimento, a retirada das ferrovias faz com que cidades anteriormente ligadas por ela, entrem em declínio. “Essas cidades todas em torno da Bahia-Minas [a ferrovia] acabaram com a construção da Rodovia” (RIBEIRO, 2018).
Desta forma, por seu valor histórico, econômico, político e cultural, o inventário da sede do atual DNIT tem relevância não apenas para o município de Teófilo Otoni, mas para o estado e para o país, pois o processo de construção da rodovia impulsionou o desenvolvimento por todas as regiões. Destaca-se o precioso acervo que esta edificação
Com a instalação do antigo Departamento Nacional de Estradas e Rodagem - DNER, atual Departamento Nacional Infraestrutura e Transportes - DNIT, no município de Teófilo Otoni, diversas intervenções foram realizadas em seu entorno. José Carlos Maia Ribeiro, engenheiro chefe aposentado pelo DNIT, esclarece em entrevista que a construção das rodovias por este departamento levou muito desenvolvimento a todas as cidades em que passou.
José Carlos cita o trabalho de Vitor Canogia, arquiteto, que "projetou para cada cidade, uma escola, um grupo escolar; aqui em Teófilo Otoni são dois, lá da baixinha e essa aqui Moreira Caldas. Ele fez a cada 150km uma estrutura de apoio à rodovia, posto de gasolina, hotéis, tudo bem feito, executados pelo próprio DNIT, na época DNER, para dar apoio logístico à rodovia, porque na época, não tinha nada, não tinha onde se hospedar" (RIBEIRO, 2018). As ruas em questão possuem casas construídas por este departamento para hospedar os seus funcionários e, com o passar do tempo, algumas fachadas foram descaracterizadas.
Destacam-se as edificações da rua Engenheiro Celso Murta, rua na qual passava a antiga ferrovia, a famosa Bahia-Minas, desativada com a implantação da Rodovia Rio-Bahia, ou BR 116, inaugurada em 1963. Nota-se uma tentativa do processo modernizador de instalação da rodovia em apagar toda a identidade da ferrovia, a título de exemplo, a antiga estação ferroviária, edificada com influências do Ecletismo, foi demolida e, em seu lugar, foi edificada uma rodoviária de linhas retas, em estrutura de concreto e aço.
Grande parte das construções da rua em questão foram construídas pelo DNER, inclusive a Escola Estadual Dr. Felipe Moreira Caldas, mas com o passar do tempo, muitas intervenções foram realizadas nas fachadas, descaracterizando o projeto original. Destaca-se o projeto arquitetônico salvaguardado pelo DNIT que mostra em detalhes o projeto original e os detalhes de cada uma das fachadas das edificações.
A praça ao lado da escola também foi descaracterizada em uma intervenção visando melhor circulação de veículos no local, restando poucos remanescentes deste passado. O galpão da antiga ferrovia foi transformado em sede da ASCANOVI - Associação Catadores de Materiais Recicláveis Nova Vida. Já a Rua Antônio Onofre possui uma série de edificações em bom estado de conservação, com pouca ou nenhuma intervenção nas fachadas.
A preservação das edificações que estão nestas ruas não se relaciona apenas às técnicas e ao estilo arquitetônico utilizado; elas são as últimas edificações remanescentes que remetem e reforçam o significado histórico e cultural na área delimitada para este inventário, o que justifica a sua salvaguarda. Desta forma, torna-se fundamental o inventário do Núcleo Histórico, e sugere-se para os próximos exercícios, o inventário individual das casas do entorno, visando a preservação da identidade visual, memória e volumetrias destas edificações que são quase centenárias, para que estas edificações sejam mais que casas esvaziadas de sentido, mas testemunhas da importância artística, histórica e/ou simbólica da cidade.
A preservação do patrimônio histórico e artístico é a valorização da memória e identidade local, um importante passo para a identificação cultural do teófilo-otonense com a sua própria terra e com sua própria história.
12. Histórico
O Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER) foi fundado por Getúlio Vargas, por meio da Lei nº 467, de 31 de julho de 1937, substituindo a antiga Comissão de Estradas de Rodagem Federais, passando então a ser um departamento autônomo. Entre as principais finalidades deste departamento estavam o estudo, a organização, a execução e a fiscalização das obras nas rodovias federais, sendo a BR-116 uma das principais obras executadas.
A BR-116 constitui-se ainda hoje como uma das principais rodovias do país. Possui 4.490 km de extensão, tendo início na cidade de Fortaleza, no Ceará, e seu término na cidade de Jaguarão, no Estado do Rio Grande do Sul, quase na fronteira com o Uruguai. A sede do DNER no município de Teófilo Otoni iniciou as suas operações em 1942, e José Carlos Ribeiro passou a ser o engenheiro técnico responsável pela execução do trecho da Rodovia Rio-Bahia (nome dado à BR-116 quando corta o território mineiro).
A edificação em questão tem sua relevância histórica, política, cultural e administrativa, por suas atribuições simbólicas e arquitetônicas. É um dos exemplares de arquitetura com influências do Art-Décó na região inventariada, sem descaracterizações, preservando ainda os elementos visuais correspondentes à época de sua edificação.
Destaca-se o cuidado com a preservação da edificação e o zelo que os funcionários deste departamento têm com a memória dos processos executados, com ampla catalogação e acomodação criteriosa. A partir das conversas realizadas durante a execução deste trabalho de campo, a pessoa de José Carlos Ribeiro, engenheiro incumbido da execução da rodovia, foi amplamente citada pelos vários funcionários como o responsável pela organização da documentação.
1. Município
Teófilo Otoni
2. Distrito
Sede
3. Designação
Sede do Dnit e Núcleo Histórico
4. Endereço
Rua Engenheiro Célso Murta, 208 (sede do DNIT). O Núcleo Histórico abrange as Ruas Antônio Onofre e Engenheiro Célso Murta, nos bairros Marajoara e Dr. Laerte Laender.
5. Propriedade
Pública (governo federal - DNIT)
6. Responsável
Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes - DNIT
7. Situação de Ocupação
Própria (em uso pela instituição)
8. Análise do entorno – situação e ambiência
Localizadas no Setor 4 da Área 1, as Ruas Antônio Onofre e Eng. Célso Murta estão nos Bairros Marajoara e Dr. Laerte Laender, respectivamente. A Rua Antônio Onofre, que fica mais próxima ao centro da cidade, inicia-se na Rua Eng. Argolo e vai até a Rua Hugo Ziemer. Ela tem um fluxo maior de veículos e pedestres, possui uma paisagem bastante heterogênea com diferentes estilos de construções com uso comercial, residencial, fábricas, instituições de ensino e religiosas. Destacam-se algumas residências antigas com características influenciadas pelo Ecletismo, Art-Déco, Modernismo, entre outros.
9. Histórico
Com a instalação do antigo DNER (hoje DNIT) em Teófilo Otoni, diversas intervenções foram feitas no entorno. O arquiteto Vitor Canogia projetou para cada cidade uma escola, posto de gasolina e hotéis a cada 150 km para dar apoio logístico à rodovia. A Rua Engenheiro Celso Murta era o local por onde passava a antiga ferrovia Bahia-Minas, desativada com a implantação da BR 116 (Rio-Bahia), inaugurada em 1963. A antiga estação ferroviária, de estilo eclético, foi demolida e em seu lugar foi construída uma rodoviária moderna. O galpão da antiga ferrovia hoje é sede da ASCANOVI (Associação de Catadores de Materiais Recicláveis Nova Vida).
10. Uso Atual
Institucional: Sede do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) no município de Teófilo Otoni.
11. Descrição (Sede do DNIT)
Projetada com um grande recuo na frente (afastamento frontal), onde há um jardim, a sede do DNIT tem uma arquitetura bem simplificada com traços do Art-Décó. O prédio tem formato basicamente retangular com poucos elementos de decoração. A fachada é bem limpa, com destaque apenas para a varanda que quebra a sua retidão. Na cimalha (moldura na parte superior), há um ornamento quase triangular com a inscrição "DNIT". Construída na década de 1940, a casa está em terreno plano.
A entrada é feita por uma pequena varanda que dá acesso ao hall e à recepção. De lá, saem os corredores que vão para as diferentes salas do setor administrativo e banheiros. No anexo dos fundos, há uma cozinha e salas de arquivo morto. O prédio tem apenas um pavimento (térreo) e aparentemente foi feito em alvenaria estrutural (paredes que sustentam o prédio). O telhado é de estrutura de madeira convencional com telhas cerâmicas. Quase todo o piso foi preservado: há piso cerâmico, taco de madeira e cimento queimado. Apenas nos banheiros e na cozinha os pisos já foram trocados por modelos contemporâneos. As janelas são quase todas de esquadria de ferro com vidro, do tipo basculante (abrem inclinadas), mas também há algumas de madeira com venezianas e vidro. As portas são todas originais de madeira.
12. Descrição (Núcleo Histórico - Ruas Antônio Onofre e Eng. Célso Murta)
As ruas que formam o Núcleo Histórico preservam edificações quase centenárias, que remetem à época da construção da rodovia Rio-Bahia e da antiga ferrovia Bahia-Minas. São residências antigas com características dos estilos eclético, art-décó e modernismo. Algumas fachadas foram descaracterizadas ao longo do tempo, mas outras permanecem em bom estado de conservação, com pouca ou nenhuma intervenção.
13. Proteção Legal existente
Nenhuma.
14. Proteção Legal proposta
Inventário para Proteção Prévia (realizado em 2020).
15. Estado de Conservação
Excelente (para a sede do DNIT). O Núcleo Histórico apresenta edificações em bom estado de conservação, com algumas descaracterizações.
16. Análise do Estado de Conservação
A sede do DNIT está em excelente estado de conservação, com pouquíssimas intervenções, apresentando-se quase que em seu estado original. A configuração da planta baixa e das fachadas foi preservada. As ruas do Núcleo Histórico possuem edificações com diferentes níveis de conservação, algumas bem preservadas e outras com alterações nas fachadas.
17. Fatores de degradação
O tempo, intervenções inadequadas nas fachadas (descaracterização) e a falta de proteção legal específica para as edificações do entorno.
18. Medidas de conservação
Recomenda-se o inventário individual das casas do entorno para os próximos exercícios, visando a preservação da identidade visual, memória e volumetria dessas edificações.
19. Intervenções
Na sede do DNIT: pouquíssimas intervenções, com preservação quase integral do original. No Núcleo Histórico: muitas edificações sofreram intervenções nas fachadas ao longo do tempo, descaracterizando o projeto original. A praça ao lado da escola foi modificada para melhorar a circulação de veículos. O galpão da antiga ferrovia foi transformado em sede da ASCANOVI.
20. Referências Bibliográficas
Entrevistas: José Carlos Maia Ribeiro (engenheiro chefe aposentado do DNIT), Fanny Moreira (ex-funcionária do DNER e historiadora), Rowan Mello (funcionário do DNIT).
21. Informações Complementares
O acervo da sede do DNIT inclui pranchetas, mobília, selos, arquivos, acervo fotográfico e bibliográfico, com grande potencial para inventários futuros. A preservação deste patrimônio é fundamental para a valorização da memória e identidade local.
22. Ficha Técnica
Inventário realizado em 2020 pela Prefeitura Municipal de Teófilo Otoni.
📋 Itens integrantes deste bem cultural
| Bem Cultural | Endereço | Ano | Tipo |
|---|---|---|---|
| Núcleo Histórico do Dnit | Rua Antônio Onofre e Rua Engenheiro Célso Murta | 2020 | Inventariado |
Importância: Este conjunto de bens integra o patrimônio cultural do município, contribuindo para a preservação da memória e identidade da comunidade teofilotonense.
📚 Fontes: