Refrigerante Mate Cola
🏛️ Refrigerante Mate Cola é um Bem Cultural Protegido por Inventariado pelo Município de Teófilo Otoni, no ano de 2020. Localizado no bairro Dr. Laerte Laender, Zona Sul.
Refrigerante Mate Cola
Localização: Bairro Dr. Laerte Laender | Zona Zona Sul
Endereço:
Tipo de Proteção: Bem Inventariado pelo Município
Ano do Inventário: 2020
O Mate Cola é um refrigerante produzido no município de Teófilo Otoni desde 1947. A produção tem como base o chá das plantas Chapéu de Couro e Erva Mate, que conferem à bebida características e sabor próprios, fazendo do refrigerante um elemento constituinte da memória de muitos teófilo-otonenses. Há mais de 70 anos, a produção do xarope que protagoniza a base do refrigerante é artesanal, o que mantém a preservação de seu sabor e autenticidade.
A fábrica de refrigerante Mate Cola iniciou suas operações em 1947 com os sócios José Vieira, Aristóteles Ferreira da Costa e Áurea Costa Gazzinelli. João Cândido Guimarães foi o responsável por desenvolver a fórmula atual da bebida. Em 1949, o produto já estava finalizado para consumo, recebendo grande adesão entre os moradores pela especificidade do sabor, mantendo-se no mercado desde então.
A fabricação do refrigerante antecede ao ano de 1945, quando dois amigos tiveram o desejo de produzir uma bebida não alcoólica que tivesse como base de sua composição duas ervas: Mate e Chapéu de Couro. O empreendimento ficou conhecido como Mate Couro, mas logo a marca foi vendida para uma empresa da capital Belo Horizonte e teve sua formulação alterada.
Roberto Machado Guimarães, filho de João Cândido Guimarães e atual sócio-proprietário, esclarece que os processos de fabricação da bebida ainda seguem como eram realizados por seu pai. A matéria-prima continua sendo o Chapéu de Couro e a Erva Mate. O empreendimento favorece a economia local, pois a Mate Cola compra as folhas, em especial as de Chapéu de Couro, de pequenos produtores locais da região. As folhas de Erva Mate são compradas de fornecedores do Rio Grande do Sul.
Roberto ainda explica que o refrigerante, que tem como base o chá destas duas ervas, é como se fosse um remédio: o Chapéu de Couro, segundo ele, "é bom pro sangue, bom pra pele, bom pra pedras nos rins". Com o chá pronto, misturam-se as quantidades proporcionais, adicionando-se o açúcar para a produção do xarope. Com este pronto, é diluído na água com gás. Roberto Guimarães afirma que o processo de produção do xarope se mantém como em 1949, artesanal e natural. No entanto, devido às regulamentações vigentes, com o xarope pronto são incluídos conservantes, acidulantes e aromatizantes: "A gente coloca também um aromatizante sabor Framboesa, pouquinho, só para tirar um pouco do ranço de folha".
Atualmente, devido à grande expansão de redes de supermercados na região, a Mate Cola tem movido esforços para atender a crescente demanda de seus produtos. A fábrica opera em dois turnos: o primeiro para produção do refrigerante nas tradicionais garrafinhas de vidro e o segundo para a produção em garrafas PETs. A Mate Cola possui hoje cerca de cinquenta funcionários, e Roberto já prevê a necessidade de ampliação do quadro em função da constante demanda. Para ele, o importante neste momento é propiciar o pleno crescimento da marca sem perder a qualidade apresentada ao consumidor final, respeitando os processos artesanais de fabricação do xarope para que o sabor continue o mesmo.
Na fábrica, as garrafas de vidro passam por um processo de higienização automatizada com água quente e depois com água fria. A conferência da higienização do produto é realizada manualmente. Se não sai toda a sujeira, a garrafa passa por um processo de limpeza manual, seguindo novamente para a esteira automatizada. Com as garrafas retornáveis higienizadas, seguem em esteira para receber a aplicação do xarope produzido: são inseridos exatamente 45 ml. As garrafas com xarope seguem para a inserção de gás carbônico, água e vedação, sendo todas as etapas supervisionadas por um controle de qualidade rigoroso, responsável por garantir a produção contínua de 60 garrafinhas por minuto.
Roberto Guimarães ainda pontua as dificuldades enfrentadas com a hegemonia de empresas do ramo. Há alguns anos, uma grande empresa do ramo de bebidas negociou a compra da empresa, sem sucesso. Por se tratar de um negócio familiar que possui sustentável processo de expansão, os atuais sócios não têm interesse em realizar a venda da empresa, que já começa a incomodar grandes líderes de mercado deste segmento.
Roberto ressalta que, por a empresa ter recusado a venda, há cerca de cinco anos enfrentaram um problema com a Coca-Cola que, por meio de ação judicial, exigiu que o rótulo do refrigerante fosse alterado. Ele esclarece: "Esse Cola parece um pouco com o da Coca-Cola, mas a Coca-Cola não tem essa virada que puxa aqui. Mas eles se sentiram assim... é que eles nunca conseguiram vender tão bem quanto a Mate-Cola aqui dentro. Se você for olhar o todo da Coca-Cola, vende mais que a Mate-Cola, mas se for olhar o que for de vidro, a pequena, a KS, a dois litros, pode somar os vidros deles tudo, que não vende [na região] a metade do que vende só a Mate-Cola. Então eles começaram a querer perturbar, entrar na Justiça, para fechar a empresa porque o nome era parecido e era vermelhão. Aí a gente pegou o rótulo antigo, rasgamos, mudamos. Brigar com a Coca-Cola? A gente no fim do mundo vai brigar com uma empresa mundial?"
A fábrica está localizada na Rua Antônio Onofre, 120, no bairro Marajoara, em Teófilo Otoni. O produto, que há quase setenta anos faz parte das principais refeições em Teófilo Otoni, hoje também pode ser encontrado em mais de 90 cidades do nordeste mineiro, como Araçuaí, Itaobim, Novo Cruzeiro, Nanuque, Governador Valadares, e também no sul da Bahia. Em Belo Horizonte, é possível encontrar Mate Cola em alguns pontos de venda, principalmente no Mercado Central, e já começa a chamar a atenção de comerciantes do Rio de Janeiro e de São Paulo.
Importância: Este bem integra o patrimônio cultural do município, contribuindo para a preservação da memória e identidade da comunidade teofilotonense.
📚 Fontes: