Fipp - Feira Internacional de Pedras Preciosas
🏛️ Fipp - Feira Internacional de Pedras Preciosas é um Bem Cultural Protegido por Inventariado pelo Município de Teófilo Otoni, no ano de 2023. Localizado no bairro Pampulhinha, Zona Norte.
Fipp - Feira Internacional de Pedras Preciosas
Localização: Bairro Pampulhinha | Zona Zona Norte
Endereço: Expominas - Rua. Cel. Mario Cordeiro
Tipo de Proteção: Bem Inventariado pelo Município
Ano do Inventário: 2023
Garimpo
Em 9 de janeiro de 1955 foi encontrada no município de Teófilo Otoni, pelos garimpeiros Zé Baiano e Tibúrcio, na fazenda Praia Alegre, a mais famosa água-marinha do mundo, a Marta Rocha, que pesava 24,800 Kg, fato que teve grande repercussão. Desde esse período a cidade passou a ser reconhecida mundialmente pelas suas riquezas minerais sendo a extração de pedras preciosas e semi-preciosas bem como sua lapidação e demais atividades que a envolvem fundamentais na história e na economia da região no século XX e princípio do XXI.
Tudo isso se justifica por Teófilo Otoni se localizar na maior província gemológica do Brasil e da América do Sul. Grande número de habitantes do município se dedica às atividades que envolvem as pedras preciosas, às oficinas, à lapidação, dentre outras atividades.
FIPP - Feira Internacional de Pedras Preciosas de Teófilo Otoni
A FIPP - Feira Internacional de Pedras Preciosas de Teófilo Otoni é realizada no Centro de Convenções Aécio Cunha - Expominas IV, no bairro da Pampulhinha. O evento é organizado pela GEA - Gems Exporters Association em parceria com a Prefeitura Municipal de Teófilo Otoni. A feira acontece anualmente, tradicionalmente em agosto, e tem duração de terça-feira a sábado.
A FIPP foi criada em 1990 e representa para a cidade um importante marco socioeconômico de proporções internacionais. Está diretamente ligada à tradição do município como polo geográfico comercial e Província Gemológica Oriental Brasileira, remontando à sua origem histórica e geológica. A cada edição do evento, Teófilo Otoni se consolida como a "Capital Mundial das Pedras Preciosas".
A feira exerce grande valor de representatividade para o município, atraindo um intenso fluxo de comerciantes, empresários e turistas tanto do Brasil quanto de vários países, impactando a economia local, o setor hoteleiro, turístico e esferas relacionadas às atividades desde a extração das gemas, lapidação, comercialização e joalheria. O evento chega a receber mais de 20 mil visitantes.
O evento conta com concurso de melhor lapidário, design, corte e inovação, concurso de redação para as escolas municipais e estaduais, palestras e cursos, espécies raras para colecionadores, joias, artesanato mineral, venda de maquinário e equipamentos e serviços relacionados ao setor. A feira divide-se em vários estandes para comerciantes, empresários e prestadores de serviços, com mesas de exposição, palco para shows diários, restaurantes e área de convivência. As palestras e workshops são realizadas no auditório, que comporta mil lugares, além de um espaço para desfile de lançamento e mostra de joias e semijoias.
A FIPP recebe expositores tanto de Minas Gerais quanto do Rio de Janeiro, São Paulo, Rio Grande do Sul, Bahia, Espírito Santo, Piauí, Distrito Federal, Goiás, Tocantins, Colômbia, EUA, Canadá, Portugal, Espanha, França, Alemanha, Suíça, Itália, Noruega, Austrália, Índia, China, Japão, Tailândia e Hong-Kong.
Histórico da região e das pedras preciosas
A região onde hoje se encontra a cidade de Teófilo Otoni, localizada no Vale do Mucuri, nordeste de Minas Gerais, permaneceu durante um longo período apenas como mata floresta entre os Vales do Jequitinhonha e do Rio Doce. Em 1842, Theophilo Benedicto Ottoni, após participar da Revolução Liberal e ser derrotado no conflito de Santa Luzia, migrou para a região com o intuito de criar a Companhia de Comércio e Navegação do Mucuri, ligando a localidade aos territórios da Bahia e Rio de Janeiro.
Com a criação da companhia, a região se tornou um importante entreposto comercial, atraindo um número significativo de imigrantes, inclusive estrangeiros, formando um intenso caldeirão cultural. Foi aberto o primeiro caminho que ligava o sertão de Minas Gerais com o mar, atravessando a Mata Atlântica e passando pelo Vale do Mucuri.
Batizada como Philadélfia em alusão à cidade norte-americana, ainda em 1857, pela lei provincial 808 de 3 de julho foi elevada a distrito e freguesia da comarca de Minas Novas. Em 1878, pela lei estadual 2486 de 9 de novembro, alçou à categoria de cidade quando recebeu o nome de Teófilo Otoni em homenagem ao seu fundador.
O subsolo da região é riquíssimo em gemas que se formaram há milhões de anos, conhecido como o centro da "Província Gemológica Oriental Brasileira", onde se encontram pedras como águas marinhas, topázios, berilos, turmalinas, ametistas, quartzo róseo, citrino, safira, dentre outras, que tiveram sua exploração iniciada no século XIX. As pedras representam 99,4% da pauta geral de exportações do município.
Em meados do século XX, a cidade recebeu imigrantes alemães procedentes de Idar-Oberstein, tradicional polo de lapidação europeu, que introduziram as primeiras técnicas de lapidação desenvolvidas nas minas de ágatas da região. Teófilo Otoni tornou-se assim o maior polo de lapidação e comércio de pedras preciosas da América do Sul, recebendo o título de "Capital Mundial das Pedras Preciosas".
O Instituto Brasileiro de Gemas e Joias (IBGM) aponta que o Brasil figura como uma das 9 maiores províncias gemológicas mundiais, com o Estado de Minas Gerais produzindo 25% das pedras preciosas do mundo.
GEA – Gems Exporters Association
A GEA – Gems Exporters Association - Associação dos Comerciantes e Exportadores de Joias e Gemas do Brasil foi criada em 1989 com o intuito de fortalecer o comércio e exportação de Pedras Preciosas e Minerais na região de Teófilo Otoni. A associação está localizada à Rua Minervino de Castro, 22, sala 304, no centro da cidade, e tem como presidente atual o Sr. Leonardo Silva Souto.
Em 2018, a GEA tornou-se OSCIP - Organização da Sociedade Civil de Interesse Público. Em conjunto com outras instituições, como o SINDIJOIAS/AJOMIF, APL de Teófilo Otoni, MDCI, DRPM, SEBRAE e CREA, a associação busca soluções para dar vitalidade ao setor de Gemas e Minerais, bem como revitalizar o garimpo, considerado a base de sustentação da pirâmide do setor.
A GEA preocupa-se também em criar uma política de financiamento específica para o setor, beneficiando as empresas brasileiras para que possam ter condições de igualdade na competição com as estrangeiras, que levam para fora do país grande parte da produção existente.
Importância: Este bem integra o patrimônio cultural do município, contribuindo para a preservação da memória e identidade da comunidade teofilotonense.
📚 Fontes: