Casarão do Sr. Fausto Miglio
🏛️ Casarão do Sr. Fausto Miglio é um Bem Cultural Protegido por Inventariado pelo Município de Teófilo Otoni, no ano de 2011. Localizado no bairro Centro, Zona Leste.
Casarão do Sr. Fausto Miglio
Localização: Bairro Centro | Zona Zona Leste
Endereço:
Tipo de Proteção: Bem Inventariado pelo Município
Ano do Inventário: 2011
A década de 1940 foi profundamente marcada pela segunda guerra mundial, nesse período o Brasil era governado por Getúlio Vargas e vivia o momento político do Estado Novo. As manifestações e grupos a favor ou contra o fascismo, o comunismo, ou os aliados manifestavam-se claramente no Brasil, ainda que em muitos casos essa prática fosse proibida pelo governo. Nesse contexto, a cidade de Teófilo Otoni, que tinha sua população formada por muitos alemães e descendentes destes, vivenciou um momento que demonstra a tensão criada pela guerra internacional e pela dominação nazista na Alemanha.
Passado o conflito, a cidade passou por um grande desenvolvimento: foi construído em 1945, o primeiro cinema de luxo – Cine Vitória, cujo nome exalta a vitória dos aliados na 2ª Guerra Mundial. Em 1946, Miguel Penchel, gerente do Banco do Brasil, e amigos, fundaram o Clube de Xadrez que funcionou na parte alta da Casa Herman Marx, hoje Delevy, na avenida Getúlio Vargas. Já em 1947, Teófilo Otoni pela primeira vez elegeu o seu prefeito, Pedro Martins Abrantes, uma vez que antes os prefeitos eram nomeados pelo governador do Estado. Relevante também nesse ano, foi a inauguração da BR 116 – Estrada Rio Bahia – que ocasionou elevada expansão populacional.
Neste contexto, foi construída a residência situada à esquina da Avenida Capitão Eduardo com Avenida Getúlio Vargas, provavelmente, da segunda metade do século XX. Não há informações sobre o projetista ou construtor do imóvel, nem se houveram construções anteriores no lote. Sabe-se, porém, que a casa pertenceu a Agnaldo Lima Fontes, e foi, em data indeterminada, vendida para Fausto Miglio, atual proprietário.
As reformas do imóvel incluem a construção de uma nova cozinha, em 1995, onde antes havia uma área de serviços, e ainda renovação periódica da camada pictórica.
O casarão conhecido como Casarão do Sr. Fausto Miglio fica no município de Teófilo Otoni, na região do Vale do Mucuri, em Minas Gerais, mais precisamente no distrito Sede, na esquina da Avenida Capitão Eduardo com a Avenida Getúlio Vargas, no centro da cidade. O imóvel pertence a Agnaldo Lima Fontes, que também é o responsável por sua administração e manutenção. A construção tem uso misto: comércio no andar térreo e residência no andar de cima.
Histórico
A década de 1940 foi muito marcada pela Segunda Guerra Mundial. Nessa época, o Brasil era governado por Getúlio Vargas e vivia o período do Estado Novo. Havia manifestações a favor ou contra o fascismo, o comunismo e os aliados, mesmo quando o governo proibia essas práticas. Nesse contexto, Teófilo Otoni, que tinha muitos moradores alemães e descendentes de alemães, viveu momentos de tensão por causa do conflito internacional e da dominação nazista na Alemanha.
Depois da guerra, a cidade passou por um grande desenvolvimento. Em 1945, foi construído o primeiro cinema de luxo da cidade, chamado Cine Vitória – um nome que exalta a vitória dos aliados na guerra. Em 1946, Miguel Penchel (gerente do Banco do Brasil) e amigos fundaram o Clube de Xadrez, que funcionou na parte alta da Casa Herman Marx (hoje chamada Delevy), na Avenida Getúlio Vargas. Em 1947, Teófilo Otoni elegeu seu primeiro prefeito, Pedro Martins Abrantes – antes disso, os prefeitos eram nomeados pelo governador do Estado.
Também em 1947 foi inaugurada a BR 116 (Estrada Rio-Bahia), o que fez a população crescer muito. Foi nesse contexto de desenvolvimento que a casa da esquina da Avenida Capitão Eduardo com a Avenida Getúlio Vargas foi construída, provavelmente na segunda metade do século XX. Não há informações sobre o projetista ou construtor, nem se existiam outras construções no terreno antes. Sabe-se que a casa pertenceu a Agnaldo Lima Fontes e, em data desconhecida, foi vendida para Fausto Miglio, que é o dono atual. As reformas do imóvel incluem a construção de uma nova cozinha em 1995 (onde antes havia uma área de serviço) e a pintura periódica da casa.
Descrição geral
O casarão tem características que misturam estilos: elementos da arquitetura colonial (antiga, das épocas do Brasil colônia) e da arquitetura vernacular (simples, popular, sem estilo definido). A casa fica num terreno com inclinação forte (acentuado aclive) e tem dois andares, formato de "L" (partido em L) e uso misto: comércio no andar térreo e residência no andar de cima.
A fachada da frente está voltada para a Avenida Capitão Leonardo. Na frente, há um jardim inclinado (espaço livre preservado). A casa está construída bem no limite da lateral esquerda do terreno (alinhamento lateral esquerdo). Na lateral direita, sobrou apenas um corredor de cerca de 1,20 metro de largura, com piso de cimento. Nos fundos, não há espaço livre – ali ficam uma área de serviço e um canil.
Na lateral esquerda, há duas entradas. Uma delas é uma escada de 16 degraus de alvenaria revestida com cerâmica, que leva a uma varanda na frente. A outra entrada fica num nível mais alto do terreno, cerca de 60 cm acima da rua, e tem três degraus de alvenaria com piso cerâmico, que levam a uma varanda nos fundos, antes da sala de TV. Essas são as entradas que os moradores mais usam.
Há também acessos indiretos para pedestres e veículos no muro da frente, no nível da rua, mas eles são pouco usados pelos donos e mais usados pelos locatários do comércio no térreo. O acesso direto ao andar térreo (parte comercial) fica na lateral direita, acima do nível da rua. No andar térreo (parte comercial), há uma loja, vestuário, banheiro e escritório. No andar de cima (residência), há duas salas, quatro quartos (sendo um suíte), banheiro, varanda da frente, copa, depósito, cozinha e área de serviço.
Materiais e técnicas de construção
A estrutura da casa é de concreto junto com paredes de tijolos cerâmicos maciços (tijolos comuns de barro cozido). A varanda da frente e a escada que dá acesso a ela (pela Avenida Getúlio Vargas) têm piso revestido de cerâmica decorada. O corrimão (guarda-corpo) é de madeira pintada de branco (balaustrada). No andar térreo (comércio), o piso é cerâmico e o teto (forro) é de tabuado de madeira. No andar de cima, o forro é de lambri (madeira) e o piso é de tabuado de madeira nas salas e quartos, exceto em dois quartos que têm piso de tacos de madeira e teto de laje (concreto). Os banheiros, copa, depósito e cozinha têm piso cerâmico e teto de laje.
As paredes internas são pintadas de branco ou revestidas de azulejos brancos. Todas as portas e janelas têm a parte de cima reta (verga reta), esquadrias de madeira e fechamento de vidro e veneziana. O telhado tem seis águas (seis superfícies inclinadas) cobertas com telhas cerâmicas coloniais (telhas de barro). Há também mais duas águas com telha de fibrocimento (telha de amianto) sobre a copa e a cozinha, e uma pequena área com telhas cerâmicas romanas sobre a área de serviço.
Sobre a varanda, há uma cobertura separada, sustentada por pilares de madeira, com três águas e telhas coloniais. As bordas do telhado (beirais) da varanda e do volume principal da casa têm cachorradas (detalhes decorativos) de madeira trabalhada. Há guarda-pó (proteção) de argamassa no acabamento de todo o telhado, menos na varanda.
Estilo e aparência
A fachada da frente tem dois andares. O andar térreo é todo revestido de pedras decorativas na cor cinza. Na fachada da frente, há duas janelas com a parte de cima em arco achatado (arco abatido), com duas folhas de abrir em veneziana de madeira e vidro. Elas são separadas por uma faixa vertical de parede pintada de amarelo. Ambas têm grades de proteção de ferro trabalhado pintadas de branco. No andar de cima, a varanda se destaca porque avança sobre o andar térreo.
São visíveis os dois pilares e as vigas de concreto que sustentam a varanda. O guarda-corpo é feito de placas quadradas de muxarabi (elementos vazados de madeira) intercaladas entre sete pilares de madeira. Os muxarabis também aparecem no contorno superior da varanda, mas são pintados de branco por fora. O acesso à varanda é feito por uma porta com bandeiras fixas (partes acima e laterais da porta) de muxarabi, no topo da escada.
Da varanda, a entrada para dentro da casa é feita por outra porta de duas folhas de madeira com bandeira fixa superior de veneziana de madeira. Há também cinco janelas verticais, com duas folhas de abrir em veneziana de madeira e vidro, e bandeiras fixas de vidro com moldura de madeira.
Apenas uma delas tem a parte de cima reta; as outras têm a parte de cima arqueada (em curva). A parede da fachada é pintada de amarelo, e as esquadrias (portas e janelas), o guarda-corpo e a estrutura da cobertura da varanda são brancos. Na lateral esquerda, há quatro janelas verticais com duas folhas de abrir em veneziana de madeira branca, bandeiras fixas de madeira branca com vidro. Essas janelas têm a parte de cima reta e grades de proteção de ferro trabalhado brancas. Há também uma porta de acesso com uma folha de grade metálica branca.
Análise do entorno
O casarão fica na região central de Teófilo Otoni, na esquina das Avenidas Capitão Leonardo e Getúlio Vargas. As construções ao redor têm um ou dois andares, com alguns prédios mais altos principalmente na Avenida Getúlio Vargas. A maioria dos imóveis fica bem na beira da calçada (alinhamento frontal), com entrada no nível da rua ou um pouco elevada – como acontece na Avenida Getúlio Vargas, que tem inclinação forte a partir do cruzamento com a Avenida Capitão Leonardo. É possível encontrar imóveis com características do estilo art-décó, mas a maioria não tem um estilo arquitetônico definido.
Predominam as residências na região, e no geral os imóveis estão bem conservados. A região tende a ficar mais cheia de prédios e a trocar as casas por comércio e serviços, por ser uma área central. A Avenida Capitão Leonardo é de paralelepípedo, tem cerca de 12 metros de largura, com estacionamento nos dois lados e mão única. O movimento de carros é pequeno. A calçada para pedestres tem cerca de 1,5 metro de largura, com lajotas de cimento que têm desenhos em baixo relevo. A região tem boa quantidade de árvores de médio porte. Na Avenida Getúlio Vargas, o asfalto é mais movimentado e o trânsito é em mão dupla. A região tem energia elétrica, água tratada, esgoto, telefone e coleta de lixo.
Estado de conservação atual
O casarão está em bom estado de conservação. Porém, foram encontrados alguns problemas: manchas escuras de umidade nas reentrâncias da balaustrada (guarda-corpo) da direita; perda de reboco com reparos grosseiros (mal feitos) de argamassa na lateral direita e na área de serviço; escurecimento do piso externo do jardim da frente. O muro da frente tem perda de reboco e manchas de umidade. Os jardins têm a vegetação (forração) ressecada, precisando de cuidados.
O que causa danos ao prédio
As manchas de umidade na balaustrada e no piso do jardim da frente são causadas pelo sol, chuva e vento (intempéries). Os reparos improvisados na lateral esquerda e na área de serviço aconteceram porque as intervenções foram feitas sem acompanhamento técnico. A vegetação dos canteiros está danificada por falta de água e manutenção.
Cuidados necessários para preservar
Recomenda-se limpar a balaustrada e aplicar nova pintura. Os reparos grosseiros na área de serviço e na lateral esquerda devem ser corrigidos, aplicando um revestimento adequado. O piso do jardim da frente deve ser limpo, e o muro da frente precisa receber novo reboco e nova pintura. Os canteiros devem receber manutenção periódica e ser regados diariamente.
Intervenções já realizadas
Periodicamente, a casa recebe uma nova pintura. Também foram feitos reparos com aplicação de reboco em áreas com perda na lateral direita e na área de serviço, mas não foi informada a data dessa intervenção. Não ocorreram intervenções de adequação. Uma nova cozinha foi construída em 1995, no lugar onde antes havia uma área de serviço.
Importância: Este bem integra o patrimônio cultural do município, contribuindo para a preservação da memória e identidade da comunidade teofilotonense.
📚 Fontes: